2010/2011 – Ana Paula Inácio
$28.3
$42.73
Ó meu doce José António Almeida ouvi dizer que a verdade era no nosso tempo uma arrogância reprovável e imaginei a seguinte anedota: num consultório, um médico esconde o mal ao doente e lê-lhe um poema porque é tudo uma questão interpretativa. Mas eu, que não tenho a certeza de ouvir a verdade se ela viesse de um carvalho ou de uma pedra (lembro-me agora que me deteria se fosse do Álvaro Lapa) e a quem, inversamente a Sócrates, me surge a verdade como um daimon – autêntica instância recalcada da instância recalcada – insisto nela como no Totobola rio-me com a arrogância de um palhaço rico e extraio a inferência de que é tão bom viver na província com o mar aqui tão perto estâncias balneares e equipamentos turísticos (p.10)
Poesia